Esse conto faz parte do meu livro "Esses Contos Que Eu Te Conto - VIDAS Vol.1", de 2022.
Fabinho ia para casa em sua bicicletinha, feliz da vida com a nota que acabara de tirar em matemática! DEZ! “Eu não acredito que tirei dez!”. Ele não era bom nessa matéria. Por isso estava tão feliz com seu primeiro dez em matemática. Ele estava na quinta série do primeiro grau, hoje sexto ano do ensino fundamental.
Para cortar caminho, Fabinho entrou pela pequena trilha no mato que dava na beira do rio. Por força do hábito, enquanto pedalava, olhou para o rio, e foi aí que viu um cisquinho se movendo no meio da água. Parecia um ser vivo! Ele parou assustado. ERA um ser vivo. Ele resolveu aproximar-se e ficou chocado ao ver um cachorrinho lutando para não se afogar. Ele não hesitou. Largou a bicicleta, jogou a mochila numa moita, tirou a calça e a camiseta do colégio e pulou rapidamente no rio. Ele nadava muito bem e logo alcançou o serzinho que lutava para sobreviver. Felizmente, ele conseguiu salvar sua vidinha.
Tremendo, o animalzinho começou a balançar o rabinho e lamber-lhe o rosto. Ele olhou para ela e a abraçou. Sim. ELA. Ele viu que era uma menininha.
- Você é uma filhotinha! Meu Deus, quem teria coragem de fazer uma maldade dessas com uma vidinha inocente como a sua?
Nesse instante ele teve um estalo:
- Vou levar você pra casa, e você vai se chamar VIDA! Eu salvei a sua VIDA, você estava lutando pela sua VIDA e você vai trazer mais VIDA pra nossa casa e pra minha VIDA.
E assim foi feito. Ao chegar, a novidade já não era mais a nota dez em matemática. Ele até se esqueceu dela! A novidade era aquela nova Vida que chegava para ficar.
A mãe de Fabinho, Rosângela e seu pai, Antônio Luís (ou “só Luís”), amavam os animais. O último cachorro que tiveram, um labrador, havia falecido menos de um mês antes. Vida chegava em boa hora! Todos se apaixonaram por ela imediatamente e a cobriram de mimos e cuidados. Rosângela secou-a com o secador de cabelos e depois a enrolou no cobertorzinho que havia sido de Rex, o labrador. Em seguida, serviu-lhe água fresca e uma tigela de arroz com frango e batatas. “Daqui a pouco vou ao mercado comprar uma boa ração e petiscos caninos pra ela!” – disse Luís.
Além dos deliciosos quitutes, Vida ganhou brinquedos e uma caminha cor-de-rosa com desenhos de cachorrinhos e ossinhos, que foi colocada no cantinho da cômoda de Fabinho, em seu quarto. E assim, ela ficou sendo o mais novo membro daquela família.
Somente à noite, Fabinho lembrou-se de contar que havia, pela primeira vez, tirado nota dez na prova de matemática.
- Isso merece uma comemoração! – disse o pai do menino.
E assim, ele encomendou uma pizza pelo telefone e dividiu-a em quatro partes iguais: uma para ele, uma para Rosângela, uma para Fabinho e uma para Vida!
Ela era uma bela cachorrinha branca com manchas marrons pelo corpo, aparentemente sem raça definida. Seu olhar doce e o alegre rabinho balançando a maior parte do tempo eram mesmo irresistíveis!
Mas além da simpatia e da alegria contagiante, Vida mostrou que também possuía outras qualidades como lealdade, bondade e inteligência acima do considerado “normal para um cachorro”. E vários acontecimentos, ao longo dos meses e anos, foram confirmando cada vez mais que Vida era uma cachorrinha muito, mas muito especial.
Como a família de Fabinho morava numa cidade do interior, o distrito de Mont Serrat - também conhecido como Paraibuna, pertencente ao município de Comendador Levy Gasparian-RJ, na divisa com Minas Gerais - eles deixavam que Vida fosse ao encontro do menino quando este retornava da escola. Do portão de casa, Rosângela e Luís podiam avistar ao longe Fabinho empurrando a bicicleta com Vida ao seu lado, pulando, enquanto ele brincava com ela e lhe fazia carinhos. Muitas vezes ele a pegava no colo e ela lambia-lhe o rosto. Isso virou rotina.
Um dia, porém, isso não ocorreu e Fabinho ficou muito preocupado quando não viu sua irmãzinha à beira do caminho esperando por ele. Aconteceu que, quando estava indo ao encontro do seu irmão e melhor amigo, Vida viu uma pombinha com dificuldades para voar e até mesmo andar. Ela chegou perto e viu que a avezinha não estava nada bem. Acostumada a cutucar com o focinho e ver as pombinhas levantarem vôo, ela achou estranho que aquela pombinha não estivesse respondendo às suas cutucadas como deveria. Correu em casa e latiu insistentemente, até que Rosângela entendeu que Vida queria que ela a seguisse.
E assim, Vida levou sua mãe humana até o matinho ao lado da estrada de chão onde a pombinha se encontrava. Rosângela, no mesmo momento, teve dó do animalzinho e pegando-o com todo cuidado, levou-o para casa colocando-o num pequeno viveiro que possuía com o propósito de tratar pássaros machucados que por acaso aparecessem em seu quintal.
Nem ela, nem Luís, e nem mesmo Fabinho eram a favor da criação de pássaros ou outros animais em gaiolas ou viveiros. Mas uma vez, uma maritaca apareceu, machucada, numa laranjeira que havia ao lado da varanda, e então eles compraram este viveiro para que ela pudesse ficar ali, na “enfermaria” enquanto fosse tratada. Depois, curada, levantou voo, mas sempre aparecia para dar um “oi” aos seus bem feitores.
Rosângela tratou da pombinha com a ajuda de Luís e Fabinho, que ao chegar da escola preocupado naquele dia, acabou ficando feliz e muito orgulhoso de sua irmãzinha Vida! Depois de curada, a pombinha foi libertada e quando levantou voo pela primeira vez depois de mais de uma semana, todos aplaudiram. E Vida pulou e latiu alegremente!
A lealdade de Vida foi comprovada em várias ocasiões. Uma delas foi quando Fabinho, que estava crescendo e consequentemente começando a paquerar as garotas do colégio, se meteu numa confusão ao passar uma cantada numa menina que tinha um namorado brigão. Fabinho não sabia sobre o namoro, então foi, cheio de amor pra dar, falar alguma coisa no ouvido da garota. O namorado, que vinha se aproximando, viu a cena e foi logo partindo para o ataque. Diferente de Fabinho, que era magrinho, o garoto era fortão e pelo jeito, mais velho. Não deu outra: bastou um empurrão bem dado para que Fabinho caísse no chão. Ele rapidamente levantou-se e montou em sua bicicletinha. Mas o garotão também estava de bicicleta e o perseguiu.
Vida estava sentada no matinho à beira da estrada, embaixo de uma arvorezinha onde sempre costumava ficar para esperar Fabinho. Ela viu quando o garoto fortão jogou sua bicicleta em cima da de Fabinho, jogando-o no chão. Quando ele ia se levantar, o garoto chegou perto, dizendo:
- Eu vou te dar uma surra, molequinho! Só pra você aprender que com garota minha ninguém se mete!
- Ela é sua, é? Não sabia que garotas estavam à venda... – respondeu Fabinho sem se acovardar.
Nada satisfeito, o garoto deu mais um passo e já ia agarrar Fabinho pela camiseta quando Vida, já adulta e bem crescida, deu um pulo em cima dele, bem em seu peito, derrubando-o, e começou a rosnar e mostrar os dentes com tanta fúria que o valentão ficou se borrando todo de medo, levantou- se e saiu correndo, com Vida em seu encalço. Ela conseguiu morder a calça do garoto, bem na bunda, arrancando um pedaço de tecido e deixando sua cueca à mostra. Ele montou na bicicleta e se mandou, xingando. Enquanto isso, Fabinho dava risadas e lhe mostrava a língua. Vida aproximou-se de Fabinho, mas ainda latia na direção da bicicleta do inimigo que já ia longe!
- Valeu, garota! É por essas e outras que eu amo você! – disse o menino dando um beijo na cabeça da cachorra.
Graças à Vida, o garoto metido a valente nunca mais se meteu com Fabinho, que por sua vez, achou melhor ir paquerar outras garotas, afinal se aquela menina de quem ele gostava namorava um babaca como aquele, ela não devia ser lá muito legal. Bom, assim pensou ele naquele momento.
***
E assim passaram-se quatro anos desde a chegada de Vida àquela família.
Tudo ia bem, até que Rosângela ficou muito doente. Ela vinha tentando engravidar novamente, mas não conseguia. O diagnóstico não demorou: leucemia. Mas ela não desistia e lutava bravamente dia após dia. Vida lhe fazia companhia e dividia-se entre os passeios com seu irmão humano e a função que ela mesma se dera, de acompanhante de sua querida mamãe.
Um dia, porém, Rosângela parou de reagir ao tratamento. Seu organismo estava cansado. Numa tarde de domingo, ela partiu calmamente, depois de abraçar e beijar carinhosamente o marido, o filho e a filha canina.
Os dias, semanas e meses que se seguiram foram de uma tristeza só. Os três ficavam juntos e sentiam muito a falta de Rosângela, com sua alegria, sua vivacidade, seu otimismo e seu coração gigante, cheio de um amor incondicional que raros humanos são capazes de oferecer.
***
Três anos e meio após a partida de Rosângela, Luís foi à casa de um amigo rapidamente para cumprimentá-lo pelo nascimento de seu primeiro filho, e lá conheceu uma moça linda chamada Luciana, que era prima da esposa de seu amigo. Foi paixão à primeira vista e logo, já estavam namorando.
Luís demorou uns seis meses até leva-la à sua casa, pois teve medo da reação de Fabinho. E ele estava certo! Assim que bateu os olhos naquela moça tão jovem e tão bonita, morena de olhos verdes e longos cabelos castanhos, o garoto torceu o nariz. “O sorriso dela é falso, parece que está sempre tensa”, pensou ele. Mas resolveu ser educado para não ouvir de novo a frase que seu pai vinha repetindo sempre que ele desobedecia alguma de suas ordens ou regras: “adolescentes são complicados, deveriam ser chamados de “aborrescentes”, isso sim!”
Vida também não simpatizou com a moça e rosnou baixinho. Mas seguindo o exemplo de Fabinho, foi educada e deitando-se em sua poltrona favorita, ficou quieta, de vez enquanto olhando de rabo de olho para a intrusa.
Apaixonado como estava, Luís não percebeu a sutil demonstração de desaprovação por parte do filho humano e da filha canina. Mas Luciana percebeu, e tratou de ser mais simpática ainda. Ela não era má pessoa, mas não gostava de cachorros devido a uma mordida que levara quando criança, e por isso, não se sentia confortável com a presença de Vida.
***
Pouco mais de um ano depois dessa primeira visita, Luciana já era a nova esposa de Luís – casaram-se no civil e no religioso – e dona da casa. Sua intenção era convencer o marido a desfazer-se da cachorra. Contou a ele o trauma de infância e disse que temia ser mordida por Vida a qualquer momento. Ele explicou que não podia fazer isso, que a cachorra era de seu filho, já que fora salva por ele, e que estava na família havia mais de nove anos. Disse também que ela era mansa, não ia mordê-la e nem a ninguém, sem motivo. Assim, sua nova esposa teve que tolerar Vida e acabou acostumando-se com ela, embora não lhe desse nada além das refeições e água quando o marido ou o enteado não estavam em casa. Nem um carinho, um banho. Nada. Essas coisas ela recebia do papai e do maninho. Nunca da madrasta.
Passaram-se dois anos e pouco, e Luciana engravidou.
Quando a criança nasceu, Vida já estava com doze anos, mas era ainda bem esperta. Fabinho estava cursando Letras numa faculdade em Juiz de Fora, há cerca de 40 km de Mont Serrat; ia e voltava de van todos os dias. Mas ele ainda passeava com a cadela duas vezes por dia, todos os dias. Eram inseparáveis. Ela continuava dormindo em seu quarto, mas desde o falecimento de Rosângela, dormia na cama com ele.
O nascimento da criança trouxe uma imensa alegria à casa! Luciana ficou tão feliz que deixava Vida se aproximar da menininha dizendo: “olha que linda a sua irmãzinha caçula!”. E Vida abanava o rabo toda feliz, encostando o focinho na cabecinha de Sofia – foi esse o nome escolhido em comum acordo pelo casal.
Estava tudo muito bem. A família não vivia uma fase tão feliz e tranquila desde a partida de Rosângela. Mas essa calmaria toda infelizmente estava com os dias contados.
Quando Sofia tinha dez meses, Vida, que naquele ano, por um descuido, não havia sido vacinada, contraiu cinomose, uma doença terrível, que judia muito dos cachorros - e Vida já não era criança.
Alegando que uma proximidade com a cachorra poderia ser perigoso para a neném, Luciana tanto fez que acabou conseguindo obrigar o marido a tirar Vida do quarto de Fabinho e colocá-la para dormir num quartinho de despejo que havia fora da casa, no quintal. Fabinho brigou, xingou, gritou e esbravejou. Mas de nada adiantou. Luciana chorou, implorou, ameaçou ir embora com a filha. Acabou vencendo essa disputa. E assim, Vida foi morar no quartinho do quintal justamente quando mais precisava de companhia e calor humano. Luís e Fabinho sentiam dó da bichinha, mas não podiam contrariar uma mãe que ainda estava amamentando sua bebê.
Vida foi levada ao veterinário, que receitou uns remédios, mas foi categórico: “se ela não melhorar é melhor sacrificar”.
- Como assim, pai? Ninguém vai matar a Vida! – gritou Fabinho decidido.
O rapaz passava a maior parte de seu tempo no quartinho em que Vida, agora, morava. Ela estava perdendo seus movimentos e caminhava com dificuldade. “É daí pra pior”, dissera o veterinário. Fabinho levava seus livros, cadernos e apostilas, sentava-se numa cadeira ao lado da caminha de Vida e estudava ali, o tempo todo afagando sua cabeça e rezando para que ela ficasse boa. Ele a amava tanto! Não conseguia imaginar-se sem ela. Já perdera sua amada mãe, não queria perder mais ninguém.
Como Vida não melhorava, tinha que ser alimentada através de seringas – o que era feito com todo amor e carinho por Fabinho e Luís. Ela já quase não andava, se arrastava. Havia um remédio que poderia salvá-la, mas era muito caro e nada garantido. “Melhor fazer a eutaná$ia para evitar sofrimentos”; isso era o que o veterinário vivia dizendo.
***
E mais dias se passaram...
Luciana, com muito custo conseguira convencer o marido de que a eutanásia era a melhor solução, e o triste procedimento estava marcado para dali a dois dias. Decidiram contar a Fabinho apenas em cima da hora para que ele não sofresse e também não tivesse tempo de fazê-los mudar de ideia. Afinal, ele era voto vencido, mas poderia criar problemas e dificultar as coisas. Luciana considerava esta a melhor decisão que poderiam tomar, porque teriam um gasto só, e depois, isso lhes pouparia trabalho e aborrecimentos. Luís concordara apenas porque não suportava mais ver o sofrimento da cachorra que tanto amava.
Um dia antes da eutanásia de Vida, Luciana precisou ir ao dentista e deixou Sofia aos cuidados do marido. A criança, que já engatinhava, estava brincando num tapete no chão quando alguém chamou lá fora. Luís foi correndo ver do que se tratava.
Na véspera, com medo de que Vida pudesse morrer sozinha naquele quartinho afastado, Fabinho trouxera sua irmã canina para dormir em seu quarto novamente, decidido a brigar com Deus e o mundo para que ela continuasse ali.
Engatinhando, Sofia entrou no quarto de Fabinho, cuja porta estava entreaberta e se aproximou de Vida, que continuava deitada em sua caminha no cantinho, ao lado da cômoda – Fabinho tivera o cuidado de descê-la de sua cama antes de sair, para que ela não caísse no chão ao se mover com dificuldade.
Lá fora, no portão, Luís explicava ao vizinho que não poderia ajudar naquele momento, já que estava tomando conta de sua filhinha. Mas que depois iria até a casa dele medir a pressão de sua mãe – Luís era farmacêutico.
- Minha mulher foi ao dentista, meu filho está para a faculdade – disse Luís – e além disso, estou com o mingau da Sofia no fogo...
Não terminou a frase. Pediu licença ao vizinho e saiu correndo, com um pressentimento horrível. Ele havia se esquecido do mingau!
Quando ele se aproximou da porta da sala, ouviu um barulhão de algo caindo. Correu para a cozinha e a cena que viu o fez ir às lágrimas:
A leiteira de alumínio estava derrubada no chão e todo o mingau quente havia sido derramado. Ao lado, com os olhinhos meio assustados, mas sem nenhuma queimadura, estava Sofia, com Vida se arrastando e puxando-a com a boca pelas fraldas. A cachorra, vendo que a criança estava em segurança, parou, e soltando a boca, enlaçou Sofia com as patas dianteiras ao mesmo tempo em que descansava a cabeça cansada no colo da menininha.
Tudo aconteceu tão rapidamente que Luís demorou um pouco a entender o que havia ocorrido. Emocionado, ele correu para Sofia e a abraçou, ao mesmo tempo em que acariciava a cabeça de Vida.
- Você tem o nome certo. Lutou pela sua Vida, nos trouxe mais Vida e agora salvou a Vida de uma criança! Agora eu vou lutar por sua Vida!
Ele chorava sem parar enquanto a menina começava a dar risadinhas gostosas.
Luís nem percebeu a presença de Luciana, parada na porta com as duas mãos tampando a boca e com os olhos cheios d’água.
Ela correu, e antes mesmo de pegar a filha nos braços, deu um beijo no focinho de Vida.
- Minha querida, obrigada! Minha filha está viva e ilesa graças a você! Vamos mover céus e terras em busca do melhor tratamento pra que você fique curada! Não importa quanto dinheiro isso custe, ouviu?
O fato é que Sofia havia ido, engatinhando, do quarto de Fabinho até a cozinha e Vida, com muita dificuldade e se arrastando, foi atrás dela. Quando Sofia segurou na alça do forno e tentou ficar de pé, a leiteira no fogão balançou e já ia virando quando Vida agarrou com os dentes as fraldas da menina e puxou-a dali com toda força que pôde reunir. A menina caiu sentada ao mesmo tempo em que a leiteira batia no chão com toda força derramando o mingau fervente.
Luís até se esqueceu do vizinho, que cansado de esperar, foi embora. Só mais tarde, Luís se lembrou dele e foi até sua casa pedir desculpas e explicar o que havia acontecido, e então mediu a pressão da senhora, que felizmente estava normal.
***
Vida não voltou mais para o quartinho do quintal. Naquele dia, ao chegar da faculdade, Fabinho fora informado de tudo que havia acontecido – tudo mesmo, até a decisão, agora revogada, sobre a eutanásia de sua irmã canina. Não teve tempo de ficar revoltado, porque tudo já havia mudado. Luciana ainda agradeceu a ele por ter trazido a cadela para dormir novamente dentro de casa, porque sem isso, Sofia poderia ter sofrido sérias queimaduras ou até mesmo ter morrido.
Seis meses de tratamento intensivo trouxeram Vida de volta à quase normalidade. Com mais de treze anos, ela quase já não corria nem pulava. Mas voltara a andar normalmente e já não ficava mais desconfiada em relação à sua nova mamãe humana, que agora, vivia cobrindo-a de carinhos e beijinhos. Ninguém jamais esqueceu Rosângela. Mas estavam felizes novamente, e tudo isso graças a uma cachorra vira-lata maravilhosa e muito amada chamada VIDA.

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