Conto escrito para a antologia "Reino da Fantasia", de 2023, aqui apresentado em sua versão original, estendida
O sol daquela bela tarde de domingo iluminava toda a floresta, fazendo com que Jordan se sentisse encantado e com uma enorme vontade de abandonar o asfalto para ir caminhar entre as árvores.
- Seria maravilhoso se fosse verdadeira a lenda sobre a existência de um vale dos elfos nesta floresta – pensou, logo em seguida rindo de si mesmo.
Não resistindo à deliciosa tentação, ele entrou na floresta, respirando aquele ar puro, admirando a beleza das árvores, ouvindo o alegre canto dos pássaros... Até que de repente, ouviu uma doce melodia, tão etérea e incomum que parecia ser entoada por anjos.
Curioso e meio que hipnotizado, Jordan resolveu seguir o som daquelas vozes tão envolventes e agradáveis. Era uma canção tão linda, tão suave e angelical... Diria até quase divina! À medida em que andava e o som das vozes ficava cada vez mais alto e claro, o jovem ia sentindo uma enorme sensação de paz, quase um estado de êxtase.
E por quase meia hora, Jordan continuou caminhando, seguindo aquela canção. Ia cada vez mais para dentro da floresta, até que começou a sentir um certo frio, e se deparou com uma névoa que o impedia de ver mais adiante. Assustado, ele parou. Com cautela, deu uns cinco passos para dentro da névoa e para sua surpresa viu que ela havia se dissipado completamente!
Ele estava agora num lugar lindo e ensolarado, cheio de flores coloridas e perfumadas, e com uma belíssima cascata que formava um lago de águas transparentes. Em sua frente estavam três figuras de indizível beleza, sorriso cativante e orelhas pontudas. Eram um homem e duas mulheres.
Jordan ficou boquiaberto. Mesmo já desconfiando de qual seria a resposta, ele perguntou:
- Quem são vocês?
- Somos elfos, seja bem-vindo ao nosso vale – respondeu o homem ruivo e alto – Sou Surya, E essas são Chandra e Ananda..
- Então não era só uma lenda, é real!
- Sim! E já que está aqui, venha conhecer o nosso lar. Vamos dar um passeio pelo jardim.
E assim foram caminhando e conversando. Jordan sentiu uma certa tensão nas vozes de Surya, Chandra e Ananda. Mas preferiu prestar atenção às belezas naturais que estavam diante de seus olhos.
De repente, ouviu um gemido, que ficava cada vez mais alto. Eles se aproximaram, e diante de seus olhos surgiu um belo animal que parecia um unicórnio. Ele estava em grande sofrimento.
- Ele se feriu e não sabemos como. – disse Surya (o homem).
- Ele só pode se curar se tomar um chá feito de uma erva que existe na floresta, a erva-santa do mato – explicou Chandra, a mulher loira de olhos violeta.
- Mas nós não podemos sair do nosso vale encantado – completou Ananda, a morena de cabelos negros e olhos cor de mel.
- Então eu posso pegar esta erva para vocês!
Jordan não hesitou. Comovido com o sofrimento do animal, saiu correndo, atravessou a névoa e ganhou a floresta, rapidamente procurando pela erva, até que, finalmente a encontrou.
Novamente correndo e arfando, fez o caminho de volta e entregou a erva aos elfos para que o chá fosse preparado, o que aconteceu sem demora.
Chandra aproximou-se do belo unicórnio, mas então Surya a interrompeu, entregando a cumbuca com o chá a Jordan:
- Não se esqueça de que o humano deve dar o chá ao unicórnio.
Apesar da surpresa, Jordan não pestanejou. Ele amava a natureza e os animais. Queria salvar a vida daquele ser. Aproximou-se e derramou o líquido em sua boca com todo cuidado. Mas infelizmente era tarde demais. O animal já estava dando seu último suspiro. E foi aí que Jordan começou a chorar em desespero abraçado ao unicórnio, suas lágrimas banhando o rosto da bela criatura.
Mas nesse momento, havia mais uma surpresa reservada para ele: o unicórnio, envolto em uma luz misteriosa, começou a ganhar a forma de um homem, ou melhor dizendo, um elfo do sexo masculino. Ele se parecia muito com Surya e era também ruivo de olhos verdes claros.
Ele se levantou e com um sorriso bondoso, disse:
- Olá, meu jovem. Eu sou Prana. A humanidade estava condenada a ter seu fim em breve. Precisávamos de um único ato de compaixão para recuperarmos nossa fé no ser humano. Após uma reunião entre os principais representantes dos seres etéreos, dos quais, nós elfos fazemos parte, ficou decidido que deveríamos atrair com a nossa canção o primeiro humano que entrasse na floresta hoje e se ele fosse capaz de chorar pela vida de um animal, a humanidade teria uma nova chance. Você salvou a raça humana. Vá e dê o exemplo!
E então, Jordan começou a sentir-se sonolento. A imagem dos quatro elfos que sorriam para ele foi ficando cada vez mais embaçada, até que ele acordou embaixo de uma frondosa árvore no meio da floresta.
Ele tinha dúvidas se aquilo havido sido sonho ou realidade. Mas já sabia exatamente o que deveria fazer daquele momento em diante! Sorrindo, levantou-se e foi para sua casa, cheio de boas ideias e uma sensação de paz no coração.
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